Gente, esse pequeno texto eu escrevi na aula de redação, do colégio, espero que gostem.
Aquela noite cálida me perturbava, talvez fosse pelos ruídos constantes no telhado do meu quarto, ou simplesmente a penumbra daquele cômodo tão vazio, que chegava a me dar pesadelos. Encolhi-me sob o lençol arroxeado e o abajur fluorescente, tentando ultrapassar a tênue parede da insônia. Eu só precisava fechar os olhos, mas eles estavam tão abertos e imóveis, atentos para cada movimento minúsculo da relva lá fora, que, iluminada pelo luar, moldava-se em sombras distintas pela janela.
Toc.
Solucei, pelo susto.
Toc, toc.
Livrei-me dos lençóis e estirei as pernas nuas para fora da cama. Meus olhos sensíveis pela escuridão miravam a janela próxima, enquanto meus pés, que deslizavam pelo linóleo, deixavam-me cada vez mais perto do som.
Toc.
Um estalido ecoou no quarto, mais fundo, deixando-me a beira de um ataque de nervos. Eu estava pedindo incessantemente que aquilo fosse só um sonho; um sonho de muita, muita má sorte. Agarrei a janela pela brecha que a mesma deixava fios de luz passar, e a ergui até que estivesse completamente aberta ou apenas o bastante para que eu pudesse sentir o vento gélido e noturno, e pôr minha cabeça para fora.
— O que está procurando, Natalie?
Quase gritei ao voltar meu tronco bruscamente para dentro do quarto. Protetoramente eu tentei esconder minhas pernas despidas pela camisola.
A voz riu de uma maneira tão agradável e melódica que meu coração palpitou sob o peito. Inconscientemente, eu sorri.
— Dedric — sussurrei, junto com um suspiro.
Eu quase podia senti-lo, enquanto ele se aproximava e cada faísca de luz deixava o mármore de seu corpo mais juvenil e invejável. Eu quis desviar os olhos.
— Assustei você? — perguntou Dedric, no instante em que o rubro de seus olhos ficaram visíveis longe da sombra de meu armário.
Fiz que não com a cabeça.
Sorriu ele, com um riso grácil fugindo-lhe da garganta.
— Eu só queria ser o primeiro — admitiu, enfiando uma das mãos no bolso do jeans. A caixinha era tão miúda quanto o pingente dentro dela — Feliz aniversário.
Meus lábios esticaram-se tanto, quase levando meu sorriso à linha de meus olhos.